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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Inquieto...  Aborrecido...  Desconfortável... Chateado... Irado...
CABEÇA doendo... HUMOR insuportável... Transtorno TRIPOLAR!
OLHOS inchados... chorar pra que se é sem querer...
DENTES rangendo como um cão raivoso.
SEIOS parecem bochechas com raiva, NÃO ME TOQUEM!
CORAÇÃO deprimido...
VENTRE inchado e dolorido parece que foi esmurrado pelo Hulk...
QUADRIL parece ter sido separado do resto do corpo por um serrote.
PANTURRILHAS como músculo distendido ...
Espelho inimigo... “feia, horrorosa”...
Marido... Que foi? Nada... NADA!...
Filho... Mãe tá chorando? NÃO!
Não ascenda a LUZ!
Não FALEM comigo!
Ciclo menstrual, efeitos de uma FERA...
Feroz...  Voraz...
Raiva... Dor...  SANGUE!
Todas as partes do corpo SANGRAM.  
SANGUE...  hoje...  amanhã... depois.
Banheiro... banho... banheiro... banho.
Brigo... Grito... Choro...  choro...  
Choro porque sangro...  sangro...
Elevação do estrogênio... Queda da progesterona...  e DAÍ?????
Involução...  Evolução... ovulação?  Sangue!
MESNTREUAÇÃO...  TPM...

Por Nanah Farias


domingo, 25 de agosto de 2013


Na madrugada desta quarta-feira (21), dois homens estavam bebendo em uma casa de prostituição na cidade de Serranópolis a 58,9 km de Jataí, quando o Michael Gonçalves, de 20 anos, teria chamado Antônio Marcos, de 38 anos, para dar uma volta.
Segundo o relato do Antônio Marcos quando  ele e Michael estava próximo ao lixão da cidade, Michael o espancou com pedra e pau e obrigou que Antônio tivesse relação sexual com ele.
Além das violências físicas Michael  a todo momento ameaçava Antônio  de morte.  Após ser estuprado Antônio foi para casa de parentes onde relatou o que havia acontecido. A polícia Militar foi acionada e após diligencia pela cidade conseguiu prender Michael.
A vítima e autor foram ouvidos pelo delegado regional André Fernandes; Michael foi preso em flagrante e segundo o delegado ele irá responder por estupro e será investigado por outros crimes que ele confessou ter cometido na cidade.
(Plantão de Policia JTI)

MARCHA DAS VADIAS
 via Indira Barros.

"O estupro masculino existe, a gente sabe. E a gente também sabe que o culpado é o mesmo que num estupro feminino: o estuprador. A gente também sabe que, muitas vezes, o que leva ao estupro masculino é o mesmo machismo que dá erroneamente ao homem a ideia de que ele pode fazer o que ele quiser e que sua sexualidade é poder sobre outras pessoas.

Mas...
Por que na notícia não está escrito "Homem alega ter sido estuprado", como na maioria das notícias de estupro de mulheres?
Por que na notícia há tanta certeza de quem é o culpado (estuprador) e de quem é a vítima (estuprado)?
Por que nesse caso não tem ninguém questionando o horário em que ele saiu, a "confiança excessiva" que ele deu aos "amigos", o fato de ele ter ido beber, a roupa que ele estava usando?
Por que não tem ninguém dizendo que ele provavelmente era promíscuo, que transava com todo mundo, que ele quis, que ele deve ter seduzido o estuprador, que ele deve ter pedido por isso, que foi só um sexo que ele não gostou e resolveu acusar de estupro?
Por que, nesse estupro, não tem ninguém dizendo que ele provocou isso?
Por que não tem ninguém dizendo que ele deve estar só querendo chamar atenção?

Será que agora vocês conseguem entender qual a diferença da cultura do estupro para uma mulher e do estupro para um homem?
A violência e o trauma são grandes em ambos os casos. O que muda é a visão da sociedade e a legitimação do estupro. O que muda é que a sexualidade feminina é criminosa, deve ser vigiada e ela será responsabilizada. A do homem, não."


sábado, 10 de agosto de 2013


Nordestino da Paraíba, galego, de olho azul, cabra da peste.
Morador de pé de serra, quando nela subia junto a seu cachorro chamado Calçado sempre trazia uma caça, e D.Severina tratava logo de preparar, para melhorar o pobre jantar daquela turma faminta. Com uma lamparina na mão ele ia sentar-se na porta de casa para fumar o seu cigarro antes de dormir. Olhava a escuridão, pois não tinha mais nada para ver naquele mundão esquecido.  Às vezes ele ia ler os seus cordéis nordestinos com rimas muito engraçadas, mas eu não entendia ainda, só achava engraçadas aquelas histórias que ele gostava tanto.  Acordava muito cedo para começar sua lida, pois o roçado era grande, e a ele não pertencia. Tinha sempre um patrão, que no final de cada mês vinha receber o seu. O papai não descansava, ele estava sempre tentando ganhar o pão de cada dia, pois se não fosse assim, não tinha criado tantos filhos.Foi um vaqueiro arretado, e em cima do seu cavalo corria atrás de garrote brabo, sumia no meio da caatinga, e a mamãe coitada, aflita, não sossegava enquanto não o via surgindo de dentro do matagal aboiando e com o seu chapéu de coro amarrado no queixo.  Sempre foi magro e forte, e nunca teve preguiça.Foi também agricultor, plantador de algodão, coisa doida de fazer, pois os dedos se feriam na colheita manual, mas ele firme e enchendo os sacos diariamente, em quantidade inexplicável. Chegava sempre muito cansado, e me lembro de que mamãe trazia uma bacia branca de ferro esmaltado com água morna para seu escalda pés, pois o dia era puxado. Trabalhava de sol a sol, de segunda a sábado e no domingo saia em seu cavalo para fazer a feira na bodega. Arroz, feijão, açúcar café e outras coisas que não podiam faltar para o alimento dos filhos.  Ele sempre comprava o básico por que o dinheiro era pouco, mas me lembro de que ele nunca se esquecia de fazer um agradinho, trazia num saquinho um punhado de confeitos (bala Soft) e era a nossa alegria de domingo.

O meu nome é Nazide, nome que ele escolheu e que hoje eu me orgulho de um nome diferente e ele diz que tirou de um romance que leu. Tenho uma característica que é dele, não durmo com chuva forte. Lembro-me que, quando começava a chover ele se levantava pegava uma lamparina e ia de rede em rede (todos dormiam em redes) olhando se estávamos bem até a chuva parar.
Seu nome é Natércio de apelido Teté, hoje é morador de Brasília e aposentado.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Passei por você tantas vezes sem te reconhecer. Sempre sentido a minha intuição mais forte a cada encontro. Pensava por que estava tão sentimental. E de repente, tudo passava. E eu de novo fugia de você, como se você não existisse. Mais um dia e outro dia, eu te encontrava novamente, e minha intuição pulsava, e eu nada identificava. Porém, o meu coração dizia olhe para o lado, sinta seu pulso, siga seu amor.  O que eu não entendia, é que era você  passando por mim, dizendo bom dia,  me querendo e fugindo de mim. Um sentimento forte. Meu coração sacudia sem saber.  Mas você passava, e ia embora. Tantas coisas eu queria te dizer.  Era você meu amor amado. Sem ver a sua imagem, eu o amava tanto,  que me deixava  levar por emoções fortes, e parecia uma adolescente procurando por seu primeiro amor. Eu te encontraria um dia, de qualquer jeito, em qualquer lugar ou em qualquer época, para te amar, como você me fez sentir esse amor. Eu sempre esperei por você, você demorou, quase não veio.  Fiquei tanto tempo esperando você. Queria que meus olhos te encontrassem, procurei você até nas estrelas, olhando para o céu, e te imaginei no meu mundo, sorrindo e dizendo "é você que eu vim buscar". O meu peito sentia a sua presença, por que você estava ali. Mas eu não te via, me olhando, me observando e dizendo descubra-me. Você sempre esteve comigo, você sempre esteve em mim, você sempre me amou, e eu te amo, hoje e para sempre. E um dia eu ouvi “está escrito nas estrelas” e eu te encontrei, te conheci e te amei. As estrelas estavam certas. Nós nos amamos desde que nascemos e isso, só as estrelas podem saber e foi por isso que elas escreveram,
para você me dizer.
A cada dia você me conquista, a cada dia você me atinge, e o meu coração é seu. A cada dia o céu é novo para mim. A cada dia eu te espero e te quero, sempre. Eu te encontrei pela primeira vez, e você me disse poesia, você me disse elogios, você olhava para mim feliz, sorrindo.Quando nos beijamos você chorou, e eu sorri. Sorri feliz porque era amor que te fazia chorar. Eu sou seu amor e você é meu amor.

             

domingo, 17 de fevereiro de 2013


Eleonora Menicucci
Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República

O crescente empoderamento da mulher, sua importância para a economia global e sua influência positiva nas comunidades fazem com que a humanidade não possa mais se dar ao luxo de concentrar atenção à equidade de gênero somente às vésperas do seu dia internacional. Sem dúvida, a data — 8 de março — é emblemática, por visibilizar sua situação no mundo e tornar pública a busca pela realização dos seus direitos humanos. Mas, no século 21, é notório que esses direitos devam ser discutidos e assegurados diariamente e, de forma mais intensa, quando violados, a fim de garantir o desenvolvimento dos países.

Como já disse a presidente Dilma Rousseff, ícone mundial pelo pioneirismo no governo do Brasil, “as mulheres podem”. Se hoje estamos em postos de poder e tomada de decisão, foi porque sonhamos e ousamos romper os limites impostos à nossa condição. Lutamos e conquistamos direitos, os quais não foram concedidos sem enfrentamento constante com o patriarcado.


No governo federal, isso se materializa por meio da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR). Há 10 anos, as principais reivindicações dos movimentos de mulheres e feministas foram incorporadas à gestão pública. E seguem, cada vez mais, espalhando-se para as administrações de estados e municípios. 


Não se pode fazer política pública sem incluí-las. As políticas serão efetivas somente quando elas estiverem inseridas não apenas como público beneficiário, mas como cidadãs. É o que demonstram os resultados dos principais programas sociais: Bolsa Família, Brasil Sem Miséria, Brasil Carinhoso, Assistência Integral à Saúde da Mulher, com destaque para o Rede Cegonha e a prevenção dos cânceres de colo de útero e de mama, o Minha Casa, Minha Vida e a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres. Esses são bem-sucedidos porque até os não específicos focam, entretanto, nelas e estimulam sua autonomia econômica, da casa ao mundo do trabalho.


De olho nas mudanças sociais, a SPM-PR levou para o interior do governo a demanda de incentivo ao ingresso e à valorização em carreiras tecnológicas e formação continuada, o que se revelou nos programas Mulher e Ciência, Brasil sem Miséria, Pronatec (Programa Nacional de acesso ao Ensino Técnico e Emprego), Gênero e Diversidade na Escola e Gênero e Raça nas Políticas Públicas. A secretaria abriu diálogo e mantém colaboração com empresas privadas e públicas, por meio do Pró-Equidade de Gênero e Raça, para fomentar o respeito às identidades e a ascensão a cargos executivos.


O combate à violência de gênero — outro tema histórico de atuação da sociedade civil — entrou com força na agenda do governo federal há uma década. Em 2005, foi criada a Central de Atendimento à Mulher — Ligue 180. Na sequência, sancionou-se a Lei Maria da Penha, a Lei nº 11.340/2006, que se tornou referência mundial, segundo a ONU. Um ano depois, instituiu-se o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Atualizado, esse último estabelece a cooperação entre os governos federal e estaduais, tribunais de Justiça, ministérios e defensorias públicas para prevenção e resposta contra a impunidade da violência de gênero, obstáculo à liberdade feminina.


Com mais de 3 milhões de atendimentos, o Ligue 180, há pouco mais de um ano, está disponível na Espanha, na Itália e em Portugal. Até o fim de 2014, chegará a mais 10 países destinos de brasileiras que estejam em situação de violência doméstica e familiar ou de tráfico e exploração sexual. Nesse período, serão ampliados serviços especializados no Brasil, inclusive em regiões de fronteira.


Antes privada e sem autorização social para que fosse sequer debatida, a violência de gênero, hoje, é pública, assim como a urgência do seu enfrentamento. Sob a liderança do governo federal, a ação do Estado brasileiro passou a ser mais efetiva, inclusive para a responsabilização de agressores, tanto judiciária, quanto financeira (ressarcimento das indenizações pagas pela Previdência às vítimas ou aos descendentes). E para a libertação de brasileiras aliciadas e em condição de escravidão sexual na Europa, a exemplo de dois casos recentemente denunciados à SPM, por meio do Ligue 180, os quais desencadearam operações da Polícia Federal em cooperação com embaixadas e polícias internacionais. Aliás, nesse tema, é preciso repetir à exaustão: o fundamental é não ter medo ou vergonha de denunciar, denunciar e denunciar.


A poucos dias do 8 de Março, temos a convicção de que precisamos avançar mais ainda e, ao mesmo tempo, de que estamos no caminho para que as brasileiras vivam livres de quaisquer formas de discriminação — valendo isso para negras, indígenas, brancas, rurais, urbanas, jovens, idosas, lésbicas, ativistas, políticas, trabalhadoras, entre outras. Direitos são reais quando o conjunto de cidadãs e cidadãos pode exercê-los da mesma maneira. Com mulheres fortalecidas em suas potencialidades e escolhas, seremos uma nação desenvolvida, sem miséria e sem violência.


artigo publicado no jornal Correio Braziliense em 17/02/2013 04:00

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Uma das primeiras nações a ter uma presidente também é o cenário de agressões públicas à condição feminina, como os recentes estupros em ônibus. As vítimas, que chegaram a 2,2 milhões em 2011, têm medo de denunciar os abusos


Indiana protesta contra o estupro de Jyoti, que foi violentada por seis homens e morreu 13 dias depois. A violência de gênero é comum no país que reserva 33% do parlamento às mulheres

“Eu nasci e cresci em Nova Dhéli, e posso dizer que, aqui, toda mulher de classe média é vítima de algum tipo de abuso em algum momento da vida.” O depoimento da professora da Universidade de Dhéli Monami Basu, de 37 anos, expõe a realidade das indianas que, apesar de bem educadas e independentes, se veem vulneráveis a crimes motivados por discriminação de gênero. A Índia foi um dos primeiros Estados a ter uma mulher ocupando a presidência e o cargo de primeira-ministra, e, em 1992, aprovou uma lei que prevê um sistema de cotas de um terço dos assentos parlamentares para as mulheres. Mesmo com os avanços políticos, pouco ou quase nada foi feito para garantir a segurança delas em suas casas e em ambientes públicos. Ontem, menos de um mês depois de a jovem Jyoti Singh Pandey ter sido estuprada por seis homens em um ônibus coletivo, a polícia indiana confirmou que uma agressão similar foi cometida, na última sexta-feira, no norte do país. A vítima de 29 anos foi atacada por sete homens. Seis estão presos.

Dados do Centro Internacional para Pesquisas sobre Mulheres (ICRW, da sigla em inglês), apontam o registro de mais de 2,2 milhões de casos de violência contra mulheres no país em 2011. Mas o número real de crimes pode ser muito maior, já que há no país uma cultura de não tornar pública uma agressão para evitar humilhações e pela desconfiança com relação ao trabalho da polícia. “Apesar das posições de destaque, a maioria das mulheres e homens educados acredita que o papel fundamental da mulher na sociedade é de cuidadora do lar”, explica o diretor do ICRW em Nova Délhi, Ravi Verma.


Contribui para isso o fato de diversas figuras públicas apontarem as mulheres como culpadas por induzirem ou permitirem a violência. Na última semana, um vídeo postado na internet chamou atenção por mostrar o guru Asharam, popular líder religioso do país, condenando Jyoti. “Essa tragédia não teria acontecido se ela tivesse evocado o nome de Deus e caído sobre os pés de seus agressores. O erro não foi cometido apenas de um lado”, disse ele.


Pronunciamentos como o do guru desencorajam as vítimas a procurarem ajuda, mas a desinformação pode ser ainda mais crítica. Em regiões isoladas, é comum as mulheres desconhecerem seus direitos e os mecanismos que podem ser acionados para buscar justiça. “Cerca de 60% da população vive em áreas rurais e a taxa de analfabetismo é relativamente alta. Então, não é fácil para essas mulheres denunciarem. Boa parte delas não sabe reconhecer que teve os direitos humanos desrespeitados”, analisa Anne Stenhammer, diretora regional da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres para a Ásia.


Desde a gestação

Exemplo disso é que cerca de 40% da população indiana considera justificável que um homem bata em sua mulher, de acordo com relatório Progresso das Mulheres no Mundo (2011-2012), organizado pela ONU Mulheres. “Em 2008, uma aluna da faculdade onde trabalho foi morta a tiros enquanto dirigia à noite. A ministra-chefe de Nova Délhi (Sheila Dikshit) foi a público e disse que a menina ‘não deveria ser tão aventureira’. As próprias mulheres no poder falam esses absurdos,” lamenta Monami Basu.

As diferenciações começam antes mesmo do nascimento, segundo Nandini Ray. Muitas família optam pelo aborto quando descobrem que esperam uma menina. Também abandonam ou matam recém-nascidas para evitar o que alguns consideram um fardo. “Há famílias que veem crianças do sexo masculino como vencedoras, enquanto as meninas são um encargo financeiro, uma vez que elas vão para a casa do marido com um dote considerável”, afirma a coordenadora de extensão do grupo Maitri, organização sem fins lucrativos baseada nos Estados Unidos que oferece apoio às asiáticas.


A taxa de nutrição e de escolaridade também são bastante desiguais. Mesmo em vilarejos e favelas, onde há pobreza generalizada e exposição geral a situações degradantes, os meninos crescem com o sentimento de que estão acima das irmãs, mães e tias. “Eles normalmente presenciaram incestos e estupros em suas casas e em grupos sociais (…). Crescem cercados de exemplos que os fazem pensar que as mulheres não merecem respeito”, avalia Monami.


Em uma sociedade altamente sexista, além de castista, o respeito pelos direitos humanos precisa ganhar um espaço maior e as leis internas precisam ser mais respeitadas, concordam os especialistas. “Eu acredito que, para assegurar os direitos das mulheres e um futuro melhor, precisamos ensinar cada menino e menina, ainda na infância, o valor da dignidade a fim de que prendam que todos os seres humanos merecem respeito”, afirma Abha Singhvi, uma das diretoras do Maitri.


Aos 72 anos

Pratibha Patil tomou posse em julho de 2007, quando tinha 72 anos. No sistema parlamentarista indiano, a presidência é um cargo mais protocolar, pois o governo é chefiado pelo primeiro-ministro. Essa função também já foi exercida por uma representante do sexo feminino. Indira Gandhi governou por dois longos períodos, de 1966 a 1977, e de 1980-1984. Filha de Jawaharlal Nehru, herói da independência indiana, ela foi assassinada em 1984 por dois guarda-costas da etnia sikhs.

Depoimentos



“Quando olho para as minhas alunas, vejo que as famílias estão dando a elas muito mais liberdade do que eu costumava ter. Na minha época, assim que a menina se graduava, a maioria das famílias tinha como primeira preocupação casá-la. (…) Mudanças estão acontecendo, mas são ainda muito lentas. Eu sempre digo para as minhas alunas: leiam, leiam e leiam. Lendo muito, você consegue entender o mundo. E entender superficialmente, não é bom o suficiente. Nós precisamos de uma geração de leitores, de gerações que tragam transformações”


Monami Basu, 37 anos, professora universitária




“Na Índia, se alguém fizer algo com você, sempre terá uma figura que te apontará como culpada e fará você se sentir envergonhada por isso. Eu sou uma mulher trabalhadora. Então, se sofresse violência em casa, sairia e reclamaria porque sei que sou independente. Se eu sofresse algum abuso, eu sei que minha posição me permitiria confrontar o crime e o abusador, é mais fácil para mim. Mas, se alguma coisa acontecesse com a minha empregada, por exemplo, ela não reclamaria”


Ruby Dhingra, 24 anos, produtora de televisão


Nova agressão em coletivo

Outro caso de estupro coletivo foi confirmado por autoridades indianas. Na última sexta, uma passageira de um ônibus foi violentada por sete homens no estado de Punjab, norte da Índia. A vítima de 29 anos era a única dentro do coletivo. Inicialmente, foi abusada sexualmente pelo motorista e pelo ajudante do homem. Depois, foi levada à força a uma casa e atacada por mais cinco pessoas. “Eles me mantiveram confinada por toda a noite e me forçaram a fazer o que quisessem”, disse a vítima em entrevista a uma afiliada da CNN. No sábado, seis pessoas foram presas acusadas de terem praticado o crime.

O estupro lembra o caso de Jyoti Singh Pandey, também atacada dentro de um ônibus, em Nova Délhi, no último dia 16. Violentada e agredida com uma barra de ferro, a jovem de 23 anos morreu 13 dias depois do ataque. O namorado dela presenciou a violência e foi jogado do veículo em movimento. O caso levou centenas de indiano às ruas em protesto contra a morte da jovem e repercutiu no resto do mundo. Cinco suspeitos foram presos e indiciados por homicídio, estupro e sequestro. Caso condenados, podem receber como punição a pena de morte.



Gabriela Walker - Correio Braziliense
Publicação: 14/01/2013 04:00

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013


Um grupo de mulheres indianas que se autodenomina gulabi gang, ou a gangue rosa, está fazendo justiça com as próprias mãos na empobrecida região da cidade de Banda, no norte da Índia.
Dois anos após ter surgido como um grupo organizado, com nome e indumentária característicos, a gangue já deu surras em homens que abandonaram ou bateram em suas mulheres e denunciou práticas corruptas na distribuição de comida para os pobres.

Elas vestem sáris cor-de-rosa (o sári é a roupa tradicional feminina na Índia), saem em perseguição de autoridades corruptas e, quando necessário, se armam com varas e machados.


As centenas de adeptas da gangue fogem de associações com partidos políticos e organizações não-governamentais porque, nas palavras de sua líder, Sampat Pal Devi, "eles estão sempre esperando alguma coisa em troca quando oferecem ajuda financeira".


"Mulheres precisam de homens"


"Ninguém nos ajuda nessas redondezas. As autoridades e a polícia são corruptas e são contra os pobres. Então, às vezes temos de fazer justiça com as nossas mãos. Em outras situações, preferimos envergonhar os malfeitores", explica Sampat Pal Devi, enquanto ensina uma das mulheres da gangue a usar um lathi (vara tradicional indiana) em defesa própria.


Castigada pela seca, Banda fica em uma das áreas mais pobres de um dos Estados mais populosos da Índia, Uttar Pradesh.


O fardo da pobreza e da discriminação, em uma sociedade baseada em castas e dominada pelos homens, acaba pesando mais sobre as mulheres. Pedidos de dotes, violência doméstica e sexual são comuns.


A líder Sampat Pal Devi, por exemplo, é esposa de um vendedor de sorvete e tem cinco filhos, o primeiro nascido quando ela tinha apenas 13 anos.


"Não somos uma gangue no sentido comum da palavra. Somos uma gangue pela justiça."


O grupo também não se considera feminista. As mulheres dizem que já devolveram 11 meninas que foram expulsas de casa aos maridos porque "mulheres precisam de homens para viver junto".


É por isso que homens como Jai Prakash Shivhari também se aliaram à gangue e discutem com veemência temas como casamento infantil, mortes associadas a dotes, falta d’água, subsídios agrícolas e desvio de verbas em obras do governo.


"Não queremos doações ou esmolas. Não queremos conciliação ou ação afirmativa. Dê-nos trabalho, pague-nos salários decentes e devolva nossa dignidade", ele diz.



Fonte: BBC Brasil.com


quinta-feira, 18 de outubro de 2012



Quatrocentos policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar  sob o comando de uma mulher. A tenente-coronel Cynthiane Santos, de apenas 40 anos, inicia mais um marco na história da polícia no Brasil. Pela primeira vez, uma tropa de elite estará sob coordenação de uma policial. A nova missão é encarada com honra pela coronel  há dez anos. 

A conquista é motivo de orgulho para a família e, principalmente, para filho adolescente, de 16 anos, e para o pai militar. Foi na figura paterna que a hoje tentente-coronel se espelhou. “O primeiro incentivo veio dele e visto a camisa da minha profissão. Acredito  que ele tem uma realização em mim”, destaca. 


O ingresso na Polícia Militar aconteceu ainda muito jovem. Com 19 anos, Cynthiane começou a vestir a farda,  sempre sinônimo de respeito e amor. “Me sinto lisonjeada e tenho objetivos cada vez maiores. Há espaço para todos e tudo depende da preparação e formação. Assumir o comando geral do batalhão é motivo de muita honra para mim”, ressalta. 


Operações especiais

Especialista em operações especiais, a comandante do batalhão destaca que os treinamentos físicos, que envolvem atividades de barra, flexões, resistência e corrida, sempre foram realizados com o mesmo potencial dos policiais. “Homens e mulheres desempenham a mesma função e cada policial tem um preparo físico. Temos de estar sempre dispostos, preparados e aptos a realizar as mesmas atividades”, ressalta.

O número de mulheres no Batalhão de Choque  comprova que o sexo frágil já é coisa ultrapassada para elas. Hoje, são dez policiais em serviço nas operações policiais divididas entre cabos e sargentos. “O trabalho da polícia é uma ação em equipe. Eu dependo de todos os 400 e eles precisam de mim e um dos outros”, aponta.


A sala da comandante de cor preta tem  toque e  ar de feminilidade. Ela conta que o filho ficou emocionado quando soube da notícia. O adolescente passou parte da infância na unidade, quando a mãe ainda era policial do Bope. “O pai o trazia para que eu pudesse matar um pouco a saudade. Quando disse que o local, que era do outro coronel, iria ser meu ele ficou muito orgulhoso. Ele cresceu me apoiando, me dando forças”, emociona-se. 


Muitos dos policiais que hoje a tenente-coronel comanda são, ainda, colegas de profissão e até amigos de dez anos atrás. “Nas operações especiais, não há muita rotatividade, então, meu filho vinha me ver e se relacionava com as pessoas com quem trabalho até hoje”, conta.


Pioneira

A tenente-coronel Cynthiane é também pioneira em vários outros  eventos ligados à profissão de policial que abraçou. Durante três anos – de 2007 a 2010 – ela fez parte da supervisão da segurança pessoal do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes, nenhuma outra mulher tinha assumido o cargo. 

“A farda é motivo de orgulho.  Como em toda profissão há riscos, mas quem tem medo não vem para cá. Há uma seriedade e preocupação, mas não medo”, destaca.


Além disso, a policial foi a primeira oficial feminina da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) a viajar para o Timor Leste em uma Missão de Paz pela Organização das Nações Unidas (ONU).


http://clicabrasilia.com.br/site/noticia.php?id=428683