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sexta-feira, 1 de março de 2013

Não me venha falar de Clarice ou Dilma
Florbela Espanca ou Beauvoir
Nelas existe um quê de desejo
De inconformismo e desapego 
Que você nunca terá... 

Isso é falta de etiqueta? 
Então que assim o seja
Suas regras, não sei seguir
Fique com algemas e bons modos 
Que eu escolho o devir

E como já diria o filósofo
“torna-te quem tu és”
Só você que não vê logo
Que és livre, mulher...

Jéssica 22.02.13 (cansada de festejar na caverna pra não ver passar as sombras)

terça-feira, 4 de setembro de 2012



Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em
qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece?
Vai escorregando... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço
afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.


                                                   Mário Quintana

sábado, 28 de maio de 2011


Eu só conhecia os menininhos verdes, mas quando descobri a
sua história fiquei encantada.


Cora Coralina

  

  Não sei... se a vida é curta

Ou longa demais para nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:



Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silencio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,

É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura enquanto durar.


Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins do Guimarães Peixoto Brêtas, 20/08/1889 — 10/04/1985 é a grande poetisa do Estado de Goiás.Se achava mais doceira do que escritora. Considerava os doces cristalizados de caju, abóbora, figo e laranja, que encantavam os vizinhos e amigos, obras melhores do que os poemas escritos em folhas de caderno. Só em 1965, aos 75 anos, ela conseguiu realizar o sonho de publicar o primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas viveu por muito tempo de sua produção de doces, até ficar conhecida como Cora Coralina, a primeira mulher a ganhar o Prêmio Juca Pato, em 1983, com o livro Vintém de Cobre – Meias Confissões de Aninha.
Nascida em Goiás, Cora tornou-se doceira para sustentar os quatro filhos depois que o marido, o advogado paulista Cantídio Brêtas, morreu, em 1934. Aos 70 anos, decidiu aprender datilografia para preparar suas poesias e enviá-las aos editores. Cora, que começou a escrever poemas e contos aos 14 anos, cursou apenas até a terceira série do primário. Nos últimos anos de vida, quando sua obra foi reconhecida, participou de conferências, homenagens e programas de televisão, e não perdeu a doçura da alma de escritora e confeiteira.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Uma poetisa de quem gosto muito 
e dona de uma história de vida fantástica.


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja 
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor

E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja, 
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito! 

Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... 
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente... 

É seres alma, e sangue, e vida em mim 
E dizê-lo cantando a toda a gente!